A pressão sobre a rentabilidade da produção agrícola exige cada vez mais planejamento, gestão e decisões baseadas em dados. Esse foi um dos principais pontos debatidos durante o painel “Como as empresas estão olhando para a margem do produtor”, realizado no Circuito SRP – Milho: Estratégias para Proteger a Rentabilidade no Campo, realizado no dia 17 de junho, no Parque Ney Braga.
Reunindo representantes da GDM, Cibra e Nortox, o debate mostrou que não existe uma solução única para aumentar a rentabilidade. Em um cenário de custos elevados, volatilidade de mercado e riscos climáticos, a construção de margens positivas passa por uma combinação de fatores que envolvem genética, manejo, fertilização, proteção de cultivos e análise de dados.
Dados como ponto de partida para decisões mais assertivas
Ao abordar os desafios enfrentados pelos produtores, os participantes destacaram que a tomada de decisão precisa estar cada vez mais conectada a informações concretas sobre a propriedade e o sistema produtivo.
Segundo Gabriel Marques, especialista de Marketing da GDM, a observação dos resultados e o uso de dados permitem maior assertividade nas escolhas realizadas dentro da lavoura. “Quando conseguimos observar os resultados, as decisões se tornam mais assertivas. Com base nos dados, conseguimos direcionar melhor as ações, gerar retorno financeiro e levar esse resultado ao produtor.”
Genética e adaptação às diferentes realidades do campo
Outro tema discutido durante o painel foi o papel da genética na busca por produtividade e rentabilidade.
Os participantes destacaram que o desenvolvimento de novos materiais genéticos precisa estar alinhado às diferentes condições climáticas e produtivas encontradas no campo.
Segundo Gabriel, a genética voltou a ocupar posição estratégica dentro dos investimentos do setor, tornando-se um dos componentes fundamentais para enfrentar cenários de maior instabilidade.
Olhar o sistema produtivo como um todo
Para Rodrigo Conor, gerente de Novos Negócios e Inovação Aberta da Cibra, um dos principais erros é analisar apenas uma variável da produção ao buscar ganhos de rentabilidade. “Olhar para um ponto isolado realmente não é a resposta. É olhar o todo: fertilizante, semente, defensivo, biológico, maquinário. A decisão é específica para cada realidade”, enfatizou.
A avaliação da margem, segundo ele, exige uma visão integrada do sistema produtivo. Aspectos como clima, gestão de riscos, expectativa de retorno e potencial produtivo precisam ser considerados em conjunto.
Durante o debate, Rodrigo também ressaltou que fertilizantes e aditivos devem atuar de forma complementar, potencializando resultados e contribuindo para maior eficiência na utilização dos insumos.
Eficiência depende do diagnóstico correto
Representando a Nortox, o diretor comercial João Ferrari destacou que antes de investir em novas tecnologias, é necessário identificar quais são os gargalos que limitam o desempenho da lavoura. “Tem que realmente saber o que está acontecendo e qual é o efeito.”
A partir desse diagnóstico, torna-se possível selecionar tecnologias mais adequadas para cada situação, incluindo materiais genéticos, estratégias de manejo e soluções para proteção de cultivos.
Ferrari também lembrou que fatores como disponibilidade hídrica, características da cultura e perfil produtivo da propriedade influenciam diretamente os resultados econômicos obtidos.
Produzir mais continua sendo importante, mas não basta
Ao longo do painel, uma das conclusões mais recorrentes foi que a busca pela rentabilidade passa pela capacidade de equilibrar produtividade e eficiência. Aumentar a produção continua sendo uma das principais formas de diluir custos e melhorar resultados econômicos. No entanto, os participantes destacaram que isso só é possível quando existe gestão adequada dos investimentos e compreensão dos riscos envolvidos.
Quando questionados sobre como atravessar períodos mais difíceis para o setor, os especialistas defenderam o uso de dados, planejamento financeiro, formação de capital de giro e escolhas técnicas fundamentadas em evidências. O painel encerrou apontando que, cada vez mais, decisões tomadas no “escuro” representam um risco para a competitividade do negócio.